À conversa com Rita Sá

Entrevistamos a Rita Sá, uma das designers participantes na última edição do Portugal Fashion.

 

Qual o balanço que faz desta edição do Portugal Fashion?

Esta edição foi, definitivamente, o início de um novo rumo do Portugal Fashion, muito mais focado na procura de novas estratégias de divulgação das marcas a nível digital. O balanço deste esforço é bastante positivo, embora a praticamente ausência de público deixe sentir os seus efeitos, uma vez que a partilha espontânea por parte do público gera redes muito fortes de divulgação das marcas e das coleções.

 

Qual foi a grande inspiração para esta coleção?

A coleção SS21 tem como ponto de partida o filme “Palmeiras na Neve”, uma história que recorda o passado colonial e as lendárias plantações em África.

 

Espanha, 1953. Dois irmãos abandonam a apática vida na neve da montanha para iniciarem uma viagem até às entranhas da Guiné Equatorial para trabalhar numa plantação de cacau. Nesta terra eternamente verde e cálida descobrem os encantos da vida social da colónia, em contraste com a vida monótona e fria que se vivia na Espanha dos anos cinquenta. Ao mesmo tempo que as recordações do frio vão ficando para trás, o ar sufocante, quente e húmido da desconhecida e exótica Guiné impõe uma inevitável adaptação.

 

Com forte influência do universo do vestuário clássico, a coleção explora peças e silhuetas que resultam da contínua transformação imposta por este novo território exuberante e tropical. Gradualmente, os materiais tornam-se mais leves, a paleta caminha do frio azul para o branco predominante e as silhuetas tornam-se mais desembaraçadas. As peças clássicas deixam de fazer sentido e dão lugar a soluções mais práticas, inspiradas no vestuário dos escravos nativos, que sabem exactamente como se adaptar ao que a natureza impõe de forma tão pulsante e urgente.

 

O que é que, efetivamente, esta coleção quer “dizer” ao mundo?

É uma coleção que fala de uma mudança de ambiente e contexto social impostos por um motivo de força maior, e de uma consequente transformação e adaptação do indivíduo ao novo contexto e à nova realidade. Ao contrário do que se espera duma situação de mudança radical, a coleção prova que uma mudança pode ser leve e gradual. É também uma coleção que pretende valorizar a cultura e explorar de forma respeitosa o vestuário dos nativos que trabalhavam nas explorações coloniais.

 

Qual o motivo da escolha dos tecidos e cores usados?

A transformação imposta pelo novo território exuberante e tropical, em contraste com a vida monótona e fria que se vivia na Espanha dos anos 50 reflete-se na coleção através da gradação de cor do frio azul, em associação ao frio vivido nas montanhas, até ao branco, cor predominantemente usada pelos habitantes nesta terra tropical. Da mesma forma, no decorrer da coleção os materiais tornam-se cada vez mais leves e frescos, com destaque para materiais mais requintados como o linho.

 

Considera que a pandemia teve algum impacto na criação desta coleção?

Sim, a coleção acabou por ser bastante reduzida, em comparação com o número de coordenados habitualmente apresentados pela marca, mas por outro lado bastante mais assertiva, contanto a história de forma eficaz e funcional.

 

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Rita Sá esteve presente no BLOOM, uma plataforma experimental destinada a designers que ainda se encontram numa fase inicial dos seus projectos, e com quem a Troficolor, imbuída do seu espirito de missão, se orgulha de colaborar.

 

BIO

Rita Rodrigues de Sá, nascida a 7 de julho de 1996, concluiu no ano letivo 2016/2017 a sua licenciatura em Design de Moda na Escola Superior de Arte e Design, em Matosinhos.