À conversa com Maria Gambina

Entrevistamos a Maria Gambina, uma das designers participantes na última edição do Portugal Fashion.

Qual o balanço que faz do Portugal Fashion deste ano?

É um balanço bastante positivo no sentido em que foram reunidas todas as condições para que tenha sido possível apresentar as coleções dos Designers com a qualidade e a segurança necessária. Foi um esforço enorme do Portugal Fashion, é louvável a coragem, empenho e criatividade.

Qual foi a grande inspiração para esta coleção?

A coleção surge do Quarentena Funky, set diário durante a quarentena gravado por Pedro Tenreiro; do primeiro encontro de amigos, pós quarentena, nas piscinas da estalagem de Ofir e da perda de um amigo.

É uma visão contemporânea do ambiente Afro- Americano da década de 60 com detalhes de Olimpíadas de natação.

Qual o motivo da escolha dos tecidos usados?

Existe sempre um lado de subverter os materiais nas minhas coleções e esta não fugiu há regra. A coleção é bastante feminina numa silhueta Space Age mas a atitude é cool. Se tivesse escolhido materiais mais delicados e esvoaçantes teria “morto” a coleção. Tudo está interligado e só assim faz sentido e se passa a mensagem. Os materiais escolhidos reforçam o lado contemporâneo da coleção que são sempre, quase todos, trabalhados com novas soluções de acabamentos técnicos ou com estampados gráficos.

Considera que foram três dias de Portugal Fashion muito diferentes dos anos anteriores? Sentiram-se, efetivamente, os efeitos da pandemia?

Sim, foram três dias muito diferentes como diferentes tem sido os nossos dias desde Março. É impossível não sentir, está estampado nas máscaras.

Sentiu, de algum modo, que esta fase pela qual atravessamos afetou a concretização desta sua coleção? Que impacto teve a pandemia no seu trabalho e dinâmica  criativa?

Não senti que tenha afetado a concretização da coleção mas em termos criativos esteve bastante presente. Para além de todas as referências criativas terem passado por momentos da quarentena, a utilização de acabamentos em membranas antibacterianas nos materiais e a criação de um acessório, em mangas puff, que surge da ideia da mascara colocada nos braços mas apresentada em tamanho xxxxxxxxxxl era algo que nunca me lembraria se não tivesse a passar por esta pandemia.

Quais as perspectivas para o futuro?

Pois não sei, esperança mas um dia de cada vez.

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A Maria Gambina é uma das criadoras consagradas que utiliza os tecidos Troficolor nas suas coleções.

BIO

Maria Cristina Lopes nasce a 3 de Abril de 1969 em Oliveira de Azeméis.

É formada em Design de Moda pelo CITEX 92 e, do seu vasto e diversificado percurso enquanto designer, destacam-se diversas participações em eventos nacionais e internacionais e a obtenção de vários primeiros prémios em concursos de design (entre outros, e logo em 1992 e repetindo em 1993, no concurso Sangue Novo, promovido pela ModaLisboa).

Em parceria com José António Tenente, vence o concurso de design e conceção das fardas para os funcionários e colaboradores da EXPO-98, Lisboa.

Foi distinguida com o prémio Criadora do Ano’97 pela Look Elite e, em 1998, com o Globo de Ouro na categoria Personalidade do Ano-Moda.

Em 2000 com a sua coleção MUSIC IS MY LIFE, vence o prémio da melhor coleção feminina promovido pela ModaLisboa, e em 2008 vence o 1º Prémio no concurso de design dos uniformes para o COLÉGIO EFANOR de Belmiro de Azevedo, Porto.

Em 2011 viu o seu trabalho reconhecido numa retrospetiva intitulada As Saias da Maria, promovida pela Câmara Municipal de Matosinhos e pela ESAD.

Foi a Designer escolhida para representar Portugal, como embaixadora portuguesa, no âmbito do projeto Euro-Fashion/Fashion ft. Football 2012, na Ucrânia.

Paralelamente e desde 1994 dedica-se ao ensino do Design de Moda como professora, começando no CITEX e passando por outras instituições como no CENATEX, na Escola de Moda do Porto e nos últimos anos na ESAD (Escola Superior de Artes e Design - Matosinhos) onde durante 8 anos foi Coordenadora e Professora da Unidade Curricular Projeto II, da Licenciatura em Design de Moda. Foi professora de Nuno Baltazar, Paulo Cravo, Katty Xiomara, Ricardo Andrez, entre outros, e agora da nova geração de jovens designers em ascensão, de David Catalán, Tânia Nicole, Inês Torcato, Olimpia Davide, Beatriz Bettencourt, Joana Braga, Rita Sá e de Gonçalo Peixoto.

Maria Gambina, marca criada em 1993, participa desde então em inúmeros projetos e desafios lançados por marcas, empresas e instituições, num percurso que tanto se liga à moda como à música, e que depois se liga tudo entre si.